sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Descubra as mentiras que o seu cérebro conta para você
Você não toma as próprias decisões - e boa parte do que vê não é real. É apenas uma ilusão criada pelo seu cérebro, que passa pelo menos 4 horas por dia enganando você. Conheça os truques que ele aplica - e saiba o que realmente acontece dentro da mente.
por Alexandre de Santi; Colaboradores: Bianca Carneiro e Cristine Kist
O cérebro humano é o objeto mais complexo do Universo. Tem 100 bilhões de neurônios, que podem formar 100 trilhões de conexões. Se fosse possível criar um computador com o mesmo número de circuitos do cérebro, ele consumiria uma quantidade absurda de eletricidade: 60 milhões de watts por hora, segundo uma estimativa de cientistas da Universidade Stanford. É o equivalente a quatro usinas de Itaipu trabalhando simultaneamente. Mas o cérebro humano gasta pouquíssima energia - 20 watts, menos que uma lâmpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas, de que nenhum computador é capaz.
Só que isso tem um preço. O seu cérebro não consegue analisar as situações de forma completamente racional, avaliando todas as variáveis envolvidas em cada caso. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos - e muito mais energia. Mas, ao longo da evolução, a natureza encontrou uma solução: o cérebro pode mentir para seu dono. Sim, mentir. Descartar informações, manipular raciocínios e até inventar coisas que não existem. Dessa forma, é possível simplificar a realidade - e reduzir drasticamente o nível de processamento exigido dos neurônios. "São efeitos colaterais do funcionamento normal do cérebro", diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Tudo começa pela visão. Você não percebe, mas o cérebro edita o que você vê. Das 16 horas por dia que uma pessoa passa acordada, em média, 4 horas são preenchidas por imagens "artificiais" - que não foram captadas pelos olhos, e sim criadas pelo cérebro.
O olho humano só capta imagens com clareza em uma pequena parte, a fóvea, que tem 1 milímetro de diâmetro e fica no centro da retina. Então, para compor a linda imagem que você está vendo agora, os seus olhos estão constantemente em movimento. Eles focam determinado ponto e depois pulam para o ponto seguinte. Cada um desses saltos tem duração de 0,2 segundo. Quer comprovar isso na prática? Na próxima vez em que você estiver conversando com uma pessoa, preste atenção nos olhos dela. Você irá perceber que eles se movimentam o tempo todo para escanear vários pontos do seu rosto.
O problema é que a cada pulo desses, enquanto os olhos estão se movendo para a próxima posição, o cérebro deixa de receber informação visual por 0,1 segundo. Durante esse tempo, você está cego. E, como nossos olhos fazem pelo menos 150 mil pulos todos os dias, o resultado são 4 horas diárias de cegueira involuntária. Você não percebe isso porque o cérebro preenche esses momentos com imagens artificiais, que dão a sensação de movimento contínuo. Mas que, na prática, você não viu.
Tem mais: o que você enxerga não é o que está acontecendo - e sim o que vai acontecer no futuro. É sério. Isso acontece porque a informação captada pelos olhos não é processada imediatamente. Ela tem de passar pelo nervo óptico e só depois chega ao cérebro. O processo leva frações de segundo, e você não pode esperar - um atraso na visão pode fazer com que você seja atropelado ao atravessar a rua, por exemplo. Então, o que faz o cérebro? Inventa. Analisa os movimentos de todas as coisas e fabrica uma imagem que não é real, contendo a posição em que cada coisa deverá estar 0,2 segundo no futuro. Você não vê o que está acontecendo agora, e sim uma estimativa do que irá acontecer daqui a 0,2 segundo.
As mentiras invadem a razão
Com R$ 1,10, você pode comprar um café e uma bala. O café custa R$ 1 a mais do que a bala. Quanto custa a bala? Responda rápido. Dez centavos, certo? Errado. Você acaba de ser enganado pelo próprio cérebro. Mas não está sozinho - mais da metade dos estudantes de universidades prestigiadas como Harvard, MIT e Princeton responderam a essa mesma pergunta e também erraram (entre alunos de instituições menos badaladas, o índice de erro é ainda maior, cerca de 80%). Essa charada é um dos exemplos citados no livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, Rápido e Devagar, ainda sem versão em português), do psicólogo israelense Daniel Kahneman, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano.
Para Kahneman, o cérebro tem dois tipos de pensamento. O primeiro é rápido e intuitivo e confia na experiência, na memória e nos sentimentos para tomar decisões. O segundo é lento e analítico - e serve como uma espécie de guardião do primeiro.
Se estamos decidindo sobre o que comer, podemos ficar em dúvida entre um sanduíche e um prato de feijão. Mas por que essas duas opções, justo elas, surgiram como as alternativas válidas para o momento? Por que você não considerou um bacalhau com batatas? Por que não um sorvete de abacaxi? Porque o seu pensamento intuitivo já estava inclinado para optar pelo sanduba ou pelo feijão e restringiu previamente as escolhas antes mesmo que você se desse conta de que estava chegando a hora de almoçar. Do contrário, passaríamos horas avaliando todas as possíveis opções de refeição - e morreríamos de fome. Se o pensamento intuitivo não existisse, seria extremamente difícil escolher uma roupa ou responder a perguntas banais, do tipo "como você está?" ou "gostou do filme?". De certa forma, o pensamento intuitivo é o que nos diferencia dos robôs. E é ele que permite ao cérebro processar informações na velocidade necessária. "Ele é mais influente. É o autor secreto de muitas decisões e julgamentos que você faz", explica Kahneman no livro. Foi o pensamento intuitivo que apontou os dez centavos como resposta para o enigma do café. Só que ele mentiu para você. A resposta certa é R$ 0,05. Se a bala custasse R$ 0,10, o café custaria R$ 1,10 - e o total daria R$ 1,20.
Esse duelo entre os dois tipos de pensamento, o rápido-intuitivo e o lento-analítico, também tem uma explicação evolutiva. O córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo processamento lógico, surgiu relativamente tarde na evolução da espécie humana - já as emoções e os instintos estavam com nossos ancestrais há muito mais tempo. Por isso elas são tão fortes e nos influenciam tanto. "A filosofia considera o ser humano um animal racional. Mas o que sabemos é que apenas em certas circunstâncias e à custa de muito esforço conseguimos ser racionais", afirma Vitor Haase, médico e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O pensamento intuitivo está sempre presente, até nas situações em que a racionalidade é supremamente importante. Um estudo de pesquisadores das universidades de Ben Gurion, em Israel, e Columbia, nos EUA, analisou o comportamento de juízes que deveriam decidir sobre a liberdade condicional de presos (um processo rápido, que leva 6 minutos). Em média, somente 35% dos condenados ganhavam a condicional. Mas os cientistas perceberam que os juízes eram muito mais benevolentes depois de comer. Quando eles tinham acabado de fazer uma refeição, a taxa de aprovação subia para 65%. Com o passar do tempo, a fome vinha chegando, e a concessão de liberdade condicional ia caindo. Minutos antes do próximo lanche, o índice de aprovação era quase zero.
Decidir sobre liberdade condicional e julgar a própria felicidade são tarefas complexas. Para avaliar todas as variáveis envolvidas, muitas delas subjetivas, o cérebro tenderia a ficar sobrecarregado. Por isso, ele usa atalhos. "Os nossos problemas são resolvidos no piloto automático, através de soluções que a cultura já embutiu no nosso cérebro", diz Haase.
Estudos têm revelado outra distorção: toda pessoa sempre tende ao otimismo, mesmo quando não há motivos para isso. A pesquisadora Tali Sharot, da University College London, gravou a atividade cerebral de voluntários enquanto eles imaginavam situações banais - como tirar uma carteira de identidade. Ela também pediu que os voluntários pensassem em coisas do passado. Os testes mostraram que as mesmas estruturas cerebrais são ativadas para recordar o passado e imaginar o futuro. Só que, ao imaginar o futuro, os voluntários criavam cenários magníficos - era o cérebro tentando colorir os eventos sem graça. "Cerca de 80% das pessoas têm tendência ao otimismo, algumas mais do que outras", diz ela. Para Tali, autora do livro Optimism Bias (O Viés do Otimismo, ainda sem versão em português), o otimismo é sempre mais comum que o pessimismo - seja qual for a faixa etária ou o grupo socioeconômico da pessoa. Assim, nunca acreditamos que algo vá dar errado - mesmo quando o mais racional seria pensar que sim. "As taxas de divórcio, por exemplo, chegam a 40%, 50%. Mas as pessoas que estão para casar sempre estimam suas chances de separação em o%", exemplifica Tali. Segundo ela, a inclinação natural ao otimismo também é um dos fatores que levaram à crise econômica global de 2008. "As pessoas achavam que o mercado continuaria subindo cada vez mais e ignoraram as evidências contrárias", afirma.
Ele está no controle
As manipulações criadas pelo cérebro afetam até a capacidade mais essencial do ser humano: tomar as próprias decisões. Quando você decide alguma coisa, na verdade o cérebro já decidiu - com uma antecedência que pode chegar a 10 segundos. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, comprovou que as nossas escolhas são resolvidas pelo cérebro antes mesmo de chegarem à consciência. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma sequência aleatória de letras. O voluntário tinha que escolher uma das letras e apertar um botão sempre que ela aparecesse. Os cientistas monitoraram o cérebro dos participantes durante o experimento. E chegaram a uma descoberta impressionante: 10 segundos antes de os voluntários escolherem uma letra, sinais elétricos correspondentes a essa decisão já apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro ligadas à tomada de decisões. Cinco segundos antes de o voluntário apertar o botão, o cérebro ativava os córtices motores, que controlam os movimentos do corpo. Isso significa que, 10 segundos antes de você fazer conscientemente uma escolha, o seu cérebro já tomou a decisão para você - e até já começou a mexer a sua mão.
"O indivíduo não é livre para escolher", afirma Renato Zamora Flores, professor de genética do comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O cérebro restringe previamente as suas possíveis opções e, pior ainda, escolhe uma delas antes mesmo que você se dê conta. É possível lutar contra isso. Lembra-se daquele outro tipo de pensamento, o lento-analítico? Basta colocá-lo em ação. E isso você consegue tendo calma, refletindo sobre as coisas e duvidando das suas escolhas e opiniões. Os truques do cérebro são poderosos, mas não invencíveis. Agora que você sabe como funcionam, está muito mais preparado para lidar com eles - e se tornar realmente livre para tomar as próprias decisões.
domingo, 19 de janeiro de 2014
Ciclídeos é uma família de peixes
de água doce da ordem Perciformes que inclui cerca de 105 géneros e 1900
espécies. Os ciclídeos representam a maior família de peixes (em termos
de número) e cerca de 5% dos vertebrados existentes na Terra. Os
ciclídeos possuem o corpo comprimido lateralmente, uma narina apenas por
lado do corpo, a linha lateral dividida e espinhos nas nadadeiras
dorsal e anal (dorsal, entre 7 e 25 raios duros e 5 e 30 raios moles;
anal, entre 3 e 15 raios duros, geralmente 3, e 4 e 15 raios moles, em
algumas espécies até 30). O grupo caracteriza-se ainda: pela presença de
dentes nas duas mandíbulas e na garganta e pelo intestino, que sai do
estômago pelo lado esquerdo (ao contrário dos restantes grupos de
peixes).
Os ciclídeos têm ampla distribuição geográfica nas Américas, África, Madagascar, litoral sul da Índia, Sri Lanka e Oriente Médio. Foram introduzidos em vários países dos 4 continentes, e em alguns são a única fonte de proteína animal para milhões de pessoas. As espécies mais conhecidas são as que habitam o continente americano (ciclídeos neotropicais) onde se destacam os populares acará disco - Symphysodon aequifasciatus - e acará bandeira -Pterophyllum scalare. O continente africano, mais precisamente na região do Rift Valey (Lagos Vitoria, Malawi e Tanganyika) se destaca pela biodiversidade de espécies dessa família. Estes ciclídeos africanos caracterizam-se pela exuberante coloração e seus tamanhos variam de 2,5 centímetros (Neolamprologus multifasciatus) a 80 centímetros (Boulengerochromis microlepis), ambos do lago Tanganiyka. No Malawi encontramos predominantemente os generos Pseudotropheus, Melanochromis e Aulonocaras. Possuem as mais variadas formas, mas em geral o corpo é moderadamente profundo e comprimido. O lago Malawi merece especial atenção por ser habitat das espécies mais coloridas da família.
Os ciclídeos têm ampla distribuição geográfica nas Américas, África, Madagascar, litoral sul da Índia, Sri Lanka e Oriente Médio. Foram introduzidos em vários países dos 4 continentes, e em alguns são a única fonte de proteína animal para milhões de pessoas. As espécies mais conhecidas são as que habitam o continente americano (ciclídeos neotropicais) onde se destacam os populares acará disco - Symphysodon aequifasciatus - e acará bandeira -Pterophyllum scalare. O continente africano, mais precisamente na região do Rift Valey (Lagos Vitoria, Malawi e Tanganyika) se destaca pela biodiversidade de espécies dessa família. Estes ciclídeos africanos caracterizam-se pela exuberante coloração e seus tamanhos variam de 2,5 centímetros (Neolamprologus multifasciatus) a 80 centímetros (Boulengerochromis microlepis), ambos do lago Tanganiyka. No Malawi encontramos predominantemente os generos Pseudotropheus, Melanochromis e Aulonocaras. Possuem as mais variadas formas, mas em geral o corpo é moderadamente profundo e comprimido. O lago Malawi merece especial atenção por ser habitat das espécies mais coloridas da família.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A GRANDE SÍNTESE
Posted: 13 Aug 2012 08:11 PM PDT
Pergunta a Osho:
Amado Osho,Como o seu rebelde está relacionado com "Zorba o Buda"?
Meu rebelde, meu novo
homem, é Zorba o Buda.
A humanidade tem acreditado ou na realidade da alma e na ilusoriedade da matéria, ou na realidade da matéria e na ilusoriedade da alma. Você pode dividir a humanidade do passado em espiritualistas e materialistas.
Mas ninguém se preocupou em olhar para a realidade do homem. Ele é ambos, simultaneamente. Ele não é apenas espiritualidade - ele não é apenas consciência - nem é apenas matéria. Ele é uma tremenda harmonia entre matéria e consciência. Ou talvez a matéria e a consciência não sejam duas coisas, mas somente dois aspectos de uma realidade: matéria é o exterior da consciência e consciência é a interioridade da matéria.
Mas não houve um único filósofo, sábio ou místico religioso do passado que tenha declarado essa unidade; todos eles estavam a favor de dividir o homem, chamando um lado de real e o outro lado de irreal. Isso tem criado uma atmosfera esquizofrênica em todo o planeta.
Você não pode viver apenas como um corpo. Isso é o que Jesus quer dizer quando declara: "Nem só de pão vive o homem" - mas essa é somente meia verdade. Você não pode viver apenas como consciência; você não pode viver sem o pão. Você tem duas dimensões em seu ser e ambas as dimensões devem ser satisfeitas, devem receber iguais oportunidades de crescimento. Mas o passado tem sido ou a favor de uma e contra a outra, ou a favor da outra e contra a primeira.
O homem não tem sido aceito como uma totalidade.
Isso tem criado infelicidade, angústia e uma tremenda escuridão, uma noite que tem durado milhares de anos, que parece não ter fim. Se você escuta o corpo, você se condena; se você não escuta o corpo, você sofre fica faminto, fica pobre, fica sedento. Se você escutar somente a consciência, o seu crescimento será desigual; sua consciência crescerá, mas seu corpo definhará e o equilíbrio será perdido. E no equilíbrio está a sua saúde, no equilíbrio está a sua totalidade, no equilíbrio está a sua alegria, está a sua canção, está a sua dança.
O Ocidente escolheu escutar o corpo, e tornou-se completamente surdo em relação à realidade da consciência. O resultado final é uma ciência notável, uma tecnologia notável, uma sociedade afluente, uma riqueza nas coisas mundanas; e no meio de toda esta abundância, um homem pobre, sem uma alma, completamente perdido - não sabendo quem ele é, não sabendo porque ele é, sentindo-se quase como um acidente ou um capricho da natureza.
A menos que a consciência cresça com a riqueza do mundo material, o corpo - a matéria - torna-se pesado demais e a alma torna-se fraca demais. Você está demasiadamente oprimido pelas suas próprias invenções, pelas suas próprias descobertas. Ao invés de criarem uma bela vida para você, elas criam uma vida que é sentida, por toda a intelligentsia do Ocidente, como indigna de ser vivida.
O Oriente escolheu a consciência, e tem condenado a matéria e tudo que seja material - inclusive o corpo - como "maya", como ilusório, como uma miragem em um deserto, a qual tem apenas aparência, mas que não tem realidade em si mesma. O Oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali, um Kabir, um Farid, um Raidas - uma longa linha de pessoas com grande consciência, com grande sabedoria. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, em inanição, morrendo como cachorros - sem comida suficiente, sem água para beber, sem roupas suficientes, sem abrigos suficientes.
Uma situação estranha... No Ocidente, a cada seis meses eles têm que jogar produtos lácteos e outros alimentos no oceano, no valor de bilhões e bilhões de dólares, em virtude da superprodução - e eles não querem superlotar seus depósitos, não querem baixar seus preços e destruir sua estrutura econômica. Por um lado, mil pessoas estavam morrendo por dia na Etiópia, e ao mesmo tempo o Mercado Comum Europeu estava destruindo tanta comida que o custo desta destruição era de dois bilhões de dólares. Esse não é o preço do alimento, mas sim o preço de levá-lo e jogá-lo no oceano. Quem é responsável por essa situação?
O homem mais rico do Ocidente está procurando por sua alma e se sente vazio, sem nenhum amor, somente cobiça; sem nenhuma oração, somente repetindo como papagaio palavras que lhe foram ensinadas nas escolas dominicais. Sem nenhuma religiosidade - sem sentimentos para com outros seres humanos, sem reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais - a destruição é muito fácil.
Hiroshima e Nagasaki não teriam acontecido se o homem não fosse concebido apenas como matéria.Tantas armas nucleares não teriam sido armazenadas se o homem fosse concebido como um Deus oculto, um esplendor oculto, não para ser destruído, mas para ser descoberto; não para ser destruído, mas para ser trazido à luz - um templo de Deus. Mas se o homem é apenas matéria, apenas química, física, um esqueleto coberto de pele, então, com a morte tudo morre, nada permanece. E por isso que se torna possível para um Adolf Hitler matar seis milhões de pessoas, sem hesitação. Se as pessoas são apenas matéria, não há porque pensar duas vezes.
O Ocidente perdeu sua alma, sua interioridade. Cercado por insignificâncias, pelo tédio, pela angústia, ele não está se encontrando. Todo o sucesso da ciência tem provado ser inútil, porque a casa está cheia de tudo, mas o dono da casa está faltando.
Aqui no Oriente, o dono está vivo, mas a casa está vazia. É difícil estar alegre com os estômagos vazios, com os corpos doentes, com a morte à sua volta; é impossível meditar. Assim, temos sido desnecessariamente perdedores. Todos nossos santos e todos nossos filósofos - espiritualistas e materialistas, ambos - são responsáveis por esse imenso crime contra o ser humano.
Zorba o Buda é a resposta.
Ele é a síntese da matéria e da alma.
Ele é uma declaração de que não existe conflito entre a matéria e a consciência, de que podemos ser ricos em ambos os sentidos: podemos ter tudo que o mundo pode oferecer, que a ciência e a tecnologia podem produzir, e ainda podemos ter tudo que um Buda, um Kabir, um Nanak encontra em seu ser interior - as flores do êxtase, a fragrância da divindade, as asas da liberdade suprema.
Zorba o Buda é o novo homem, é o rebelde.
Sua rebelião consiste em destruir a esquizofrenia do homem, destruir a divisão - destruir a espiritualidade como contrária ao materialismo e destruir o materialismo como contrário à espiritualidade.
Ele é um manifesto de que o corpo e a alma estão juntos, de que a existência está repleta de espiritualidade, de que até mesmo as montanhas estão vivas, de que até mesmo as árvores são sensitivas, de que a existência inteira é ambas... ou talvez uma única energia expressando-se de duas maneiras - como matéria e como consciência. Quando a energia está purificada, ela se expressa como consciência; quando a energia está crua, não purificada, densa, ela se manifesta como matéria. Mas a existência inteira nada mais é do que um campo de energia.
Essa é a minha experiência - não minha filosofia. E isso é confirmado pela física moderna e suas pesquisas: a existência é energia.
Podemos permitir ao homem ter os dois mundos, simultaneamente. Ele não precisa renunciar a este mundo para obter o outro, tampouco ele tem que negar o outro mundo para usufruir deste. Na verdade, ter somente um mundo, sendo você capaz de ter ambos, é ser desnecessariamente pobre.
Zorba o Buda é a mais rica possibilidade. Ele viverá a sua natureza ao seu máximo. Ele cantará canções desta terra.
Ele não trairá a terra e também não trairá o céu. Ele reivindicará tudo o que a terra tem - todas as flores, todos os prazeres - e também reivindicará todas as estrelas do céu. Ele reivindicará a existência inteira como seu lar.
O homem do passado era pobre porque ele dividia a existência; o novo homem, meu rebelde, Zorba o Buda, reivindica o mundo inteiro como seu lar. Tudo o que ele contém é para nós, e temos que usá-lo de todas as formas possíveis - sem culpa, sem conflito, sem escolha. Sem escolher, desfrute tudo o que a matéria é capaz de oferecer, e aprecie tudo o que a consciência é capaz de oferecer.
Seja um Zorba, mas não pare aí.
Continue movendo-se para tomar-se um Buda. Zorba é a metade, Buda é a metade.
Existe uma história antiga. Em uma floresta, perto de uma cidade moravam dois mendigos. Obviamente eles eram inimigos um do outro, como todos os profissionais são - dois médicos, dois professores, dois santos. Um era cego e o outro era aleijado, e ambos eram muito competitivos; o dia inteiro eles estavam competindo entre si na cidade.
Mas uma noite seus casebres pegaram fogo, porque toda a floresta estava em chamas. O cego podia sair correndo, mas ele não podia ver para onde correr, ele não podia ver aonde o fogo não havia se espalhado ainda. O aleijado podia ver que ainda havia possibilidades de escapar do fogo, mas ele não podia correr - o fogo estava muito forte, muito selvagem - assim, o aleijado podia apenas ver sua morte se aproximando.
Ambos compreenderam que precisavam um do outro. O aleijado teve uma repentina compreensão: "O outro homem pode correr, o cego pode correr e eu posso vem". Eles esqueceram toda a sua competição. Em um momento tão crítico, quando ambos estão encarando a morte, necessariamente se esquece toda a estúpida inimizade.
Eles criaram uma grande síntese; eles concordaram que o cego carregaria o aleijado em seus ombros e eles funcionariam como um único homem - o aleijado pode ver e o cego pode correr. Eles salvaram suas vidas. E porque cada um salvou a vida do outro, eles se tomaram amigos; pela primeira vez deixaram de lado seu antagonismo.
Zorba é cego - ele não pode ver, mas ele pode dançar, pode cantar, pode celebrar. O Buda pode ver, mas ele pode somente ver. Ele é pura visão apenas claridade e percepção - mas ele não pode dançar, está aleijado; não pode cantar, não pode celebrar.
Está na hora. O mundo está pegando fogo; a vida de todos está em perigo. O encontro de Zorba e Buda pode salvar a humanidade inteira. Este encontro é a única esperança.
Buda pode contribuir com consciência, claridade, olhos para ver além, olhos para ver aquilo que é quase invisível. Zorba pode dar todo o seu ser à visão de Buda - e não a deixe permanecer apenas uma visão seca, mas faça-a um estilo de vida dançante, celebrativo, extático.
O embaixador de Sri Lanka escreveu uma carta para mim dizendo que eu deveria parar de usar as palavras "Zorba o Buda"... porque Sri Lanka é um país budista. Ele disse: "É uma ofensa aos nossos sentimentos religiosos esta sua mistura de estranhas pessoas, Zorba e Buda".
Eu escrevi a ele: "Talvez você não entenda o fato de que Buda não é propriedade pessoal de ninguém, e Buda não é necessariamente o Gautama Buda que vocês têm adorado por milhares de anos em seus templos. Buda simplesmente significa "o acordado". É um adjetivo; não é um nome pessoal. Jesus pode ser chamado o Buda; Mahavira era chamado, nas escrituras jainas, o Buda; LaoTzu pode ser chamado um Buda - qualquer um que seja iluminado é um Buda. A palavra Buda simplesmente significa "o acordado". Ora, acordar não é propriedade de ninguém; todos que podem dormir, podem também acordar. Isso é natural, lógico, conseqüente - se você é capaz de dormir, você é capaz de acordar. Zorba está dormindo; portanto ele tem a capacidade de estar acordado. Assim, por favor, não fique desnecessariamente enraivecido, furioso. Eu não estou falando sobre o seu Gautama Buda; eu estou falando sobre a pura qualidade de estar acordado. Eu o estou usando somente como um símbolo".
Zorba o Buda simplesmente significa um novo nome para um novo ser humano, um novo nome para uma nova era, um novo nome para um novo começo.
Ele não respondeu. Até mesmo as pessoas que possuem postos de embaixadores são completamente ignorantes, estúpidas. Ele pensou que estava escrevendo uma carta muito significativa para mim, sem ao menos entender o significado de Buda. Buda não era o nome de Gautama. Seu nome era Gautama Sidarta. Buda não era o seu nome - o nome dado por seus pais era Gautama Sidarta. Sidarta era o seu nome, Gautama era o seu sobrenome. Ele é chamado de Buda porque despertou; de outra forma, ele era também um Zorba. Qualquer um que não esteja acordado é um Zorba.
Zorba é um personagem fictício, um homem que acreditava nos prazeres do corpo, nos prazeres dos sentidos. Ele desfrutava a vida ao seu máximo, sem se preocupar com o que iria acontecer a ele na próxima vida - se iria para o céu ou seria jogado no inferno. Ele era um pobre servente; seu patrão era muito rico, mas muito sério - com a cara amarrada, muito britânico.
Em uma noite de lua cheia... Eu não sou capaz de esquecer o que ele disse ao seu patrão. Ele estava em sua cabana; foi para fora, com o seu violão estava indo dançar na praia - e convidou o patrão. Ele disse: "Patrão, somente uma coisa está errada em você - você pensa demais. Vamos! Esta não é hora de pensar; a lua está cheia, e todo o oceano está dançando. Não perca este desafio".
Ele arrastou o patrão pelo braço. Seu patrão tentou resistir, porque Zorba era absolutamente maluco, ele costumava dançar na praia todas as noites! O patrão estava sentindo-se embaraçado - e se alguém chegar e ver que ele está acompanhando Zorba? E Zorba não estava somente convidando seu patrão a ficar ao seu lado; ele estava convidando-o a dançar!
Vendo a lua cheia, e o oceano dançando, e as ondas, e Zorba cantando com seu violão, subitamente o patrão começou a sentir uma energia em suas pernas que nunca havia sentido antes. Encorajado e persuadido, finalmente ele entrou na dança, a princípio relutantemente, olhando em volta, mas não havia ninguém na praia no meio da noite. Então ele esqueceu tudo sobre o mundo e começou - tornou-se um com Zorba-o-dançarino, e o Oceano-o-dançarino, e a Lua-a-dançarina. Tudo se desvaneceu. Tudo se tomou uma dança.
Zorba é um personagem fictício e Buda é um adjetivo para qualquer um que abandone seu sono e se tome acordado. Nenhum budista precisa se sentir ferido.
Eu estou dando a Buda a energia para dançar, e eu estou dando a Zorba os olhos para ver, além dos céus, os longínquos destinos da existência e da evolução.
Meu rebelde não é outro senão Zorba o Buda.
A humanidade tem acreditado ou na realidade da alma e na ilusoriedade da matéria, ou na realidade da matéria e na ilusoriedade da alma. Você pode dividir a humanidade do passado em espiritualistas e materialistas.
Mas ninguém se preocupou em olhar para a realidade do homem. Ele é ambos, simultaneamente. Ele não é apenas espiritualidade - ele não é apenas consciência - nem é apenas matéria. Ele é uma tremenda harmonia entre matéria e consciência. Ou talvez a matéria e a consciência não sejam duas coisas, mas somente dois aspectos de uma realidade: matéria é o exterior da consciência e consciência é a interioridade da matéria.
Mas não houve um único filósofo, sábio ou místico religioso do passado que tenha declarado essa unidade; todos eles estavam a favor de dividir o homem, chamando um lado de real e o outro lado de irreal. Isso tem criado uma atmosfera esquizofrênica em todo o planeta.
Você não pode viver apenas como um corpo. Isso é o que Jesus quer dizer quando declara: "Nem só de pão vive o homem" - mas essa é somente meia verdade. Você não pode viver apenas como consciência; você não pode viver sem o pão. Você tem duas dimensões em seu ser e ambas as dimensões devem ser satisfeitas, devem receber iguais oportunidades de crescimento. Mas o passado tem sido ou a favor de uma e contra a outra, ou a favor da outra e contra a primeira.
O homem não tem sido aceito como uma totalidade.
Isso tem criado infelicidade, angústia e uma tremenda escuridão, uma noite que tem durado milhares de anos, que parece não ter fim. Se você escuta o corpo, você se condena; se você não escuta o corpo, você sofre fica faminto, fica pobre, fica sedento. Se você escutar somente a consciência, o seu crescimento será desigual; sua consciência crescerá, mas seu corpo definhará e o equilíbrio será perdido. E no equilíbrio está a sua saúde, no equilíbrio está a sua totalidade, no equilíbrio está a sua alegria, está a sua canção, está a sua dança.
O Ocidente escolheu escutar o corpo, e tornou-se completamente surdo em relação à realidade da consciência. O resultado final é uma ciência notável, uma tecnologia notável, uma sociedade afluente, uma riqueza nas coisas mundanas; e no meio de toda esta abundância, um homem pobre, sem uma alma, completamente perdido - não sabendo quem ele é, não sabendo porque ele é, sentindo-se quase como um acidente ou um capricho da natureza.
A menos que a consciência cresça com a riqueza do mundo material, o corpo - a matéria - torna-se pesado demais e a alma torna-se fraca demais. Você está demasiadamente oprimido pelas suas próprias invenções, pelas suas próprias descobertas. Ao invés de criarem uma bela vida para você, elas criam uma vida que é sentida, por toda a intelligentsia do Ocidente, como indigna de ser vivida.
O Oriente escolheu a consciência, e tem condenado a matéria e tudo que seja material - inclusive o corpo - como "maya", como ilusório, como uma miragem em um deserto, a qual tem apenas aparência, mas que não tem realidade em si mesma. O Oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali, um Kabir, um Farid, um Raidas - uma longa linha de pessoas com grande consciência, com grande sabedoria. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, em inanição, morrendo como cachorros - sem comida suficiente, sem água para beber, sem roupas suficientes, sem abrigos suficientes.
Uma situação estranha... No Ocidente, a cada seis meses eles têm que jogar produtos lácteos e outros alimentos no oceano, no valor de bilhões e bilhões de dólares, em virtude da superprodução - e eles não querem superlotar seus depósitos, não querem baixar seus preços e destruir sua estrutura econômica. Por um lado, mil pessoas estavam morrendo por dia na Etiópia, e ao mesmo tempo o Mercado Comum Europeu estava destruindo tanta comida que o custo desta destruição era de dois bilhões de dólares. Esse não é o preço do alimento, mas sim o preço de levá-lo e jogá-lo no oceano. Quem é responsável por essa situação?
O homem mais rico do Ocidente está procurando por sua alma e se sente vazio, sem nenhum amor, somente cobiça; sem nenhuma oração, somente repetindo como papagaio palavras que lhe foram ensinadas nas escolas dominicais. Sem nenhuma religiosidade - sem sentimentos para com outros seres humanos, sem reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais - a destruição é muito fácil.
Hiroshima e Nagasaki não teriam acontecido se o homem não fosse concebido apenas como matéria.Tantas armas nucleares não teriam sido armazenadas se o homem fosse concebido como um Deus oculto, um esplendor oculto, não para ser destruído, mas para ser descoberto; não para ser destruído, mas para ser trazido à luz - um templo de Deus. Mas se o homem é apenas matéria, apenas química, física, um esqueleto coberto de pele, então, com a morte tudo morre, nada permanece. E por isso que se torna possível para um Adolf Hitler matar seis milhões de pessoas, sem hesitação. Se as pessoas são apenas matéria, não há porque pensar duas vezes.
O Ocidente perdeu sua alma, sua interioridade. Cercado por insignificâncias, pelo tédio, pela angústia, ele não está se encontrando. Todo o sucesso da ciência tem provado ser inútil, porque a casa está cheia de tudo, mas o dono da casa está faltando.
Aqui no Oriente, o dono está vivo, mas a casa está vazia. É difícil estar alegre com os estômagos vazios, com os corpos doentes, com a morte à sua volta; é impossível meditar. Assim, temos sido desnecessariamente perdedores. Todos nossos santos e todos nossos filósofos - espiritualistas e materialistas, ambos - são responsáveis por esse imenso crime contra o ser humano.
Zorba o Buda é a resposta.
Ele é a síntese da matéria e da alma.
Ele é uma declaração de que não existe conflito entre a matéria e a consciência, de que podemos ser ricos em ambos os sentidos: podemos ter tudo que o mundo pode oferecer, que a ciência e a tecnologia podem produzir, e ainda podemos ter tudo que um Buda, um Kabir, um Nanak encontra em seu ser interior - as flores do êxtase, a fragrância da divindade, as asas da liberdade suprema.
Zorba o Buda é o novo homem, é o rebelde.
Sua rebelião consiste em destruir a esquizofrenia do homem, destruir a divisão - destruir a espiritualidade como contrária ao materialismo e destruir o materialismo como contrário à espiritualidade.
Ele é um manifesto de que o corpo e a alma estão juntos, de que a existência está repleta de espiritualidade, de que até mesmo as montanhas estão vivas, de que até mesmo as árvores são sensitivas, de que a existência inteira é ambas... ou talvez uma única energia expressando-se de duas maneiras - como matéria e como consciência. Quando a energia está purificada, ela se expressa como consciência; quando a energia está crua, não purificada, densa, ela se manifesta como matéria. Mas a existência inteira nada mais é do que um campo de energia.
Essa é a minha experiência - não minha filosofia. E isso é confirmado pela física moderna e suas pesquisas: a existência é energia.
Podemos permitir ao homem ter os dois mundos, simultaneamente. Ele não precisa renunciar a este mundo para obter o outro, tampouco ele tem que negar o outro mundo para usufruir deste. Na verdade, ter somente um mundo, sendo você capaz de ter ambos, é ser desnecessariamente pobre.
Zorba o Buda é a mais rica possibilidade. Ele viverá a sua natureza ao seu máximo. Ele cantará canções desta terra.
Ele não trairá a terra e também não trairá o céu. Ele reivindicará tudo o que a terra tem - todas as flores, todos os prazeres - e também reivindicará todas as estrelas do céu. Ele reivindicará a existência inteira como seu lar.
O homem do passado era pobre porque ele dividia a existência; o novo homem, meu rebelde, Zorba o Buda, reivindica o mundo inteiro como seu lar. Tudo o que ele contém é para nós, e temos que usá-lo de todas as formas possíveis - sem culpa, sem conflito, sem escolha. Sem escolher, desfrute tudo o que a matéria é capaz de oferecer, e aprecie tudo o que a consciência é capaz de oferecer.
Seja um Zorba, mas não pare aí.
Continue movendo-se para tomar-se um Buda. Zorba é a metade, Buda é a metade.
Existe uma história antiga. Em uma floresta, perto de uma cidade moravam dois mendigos. Obviamente eles eram inimigos um do outro, como todos os profissionais são - dois médicos, dois professores, dois santos. Um era cego e o outro era aleijado, e ambos eram muito competitivos; o dia inteiro eles estavam competindo entre si na cidade.
Mas uma noite seus casebres pegaram fogo, porque toda a floresta estava em chamas. O cego podia sair correndo, mas ele não podia ver para onde correr, ele não podia ver aonde o fogo não havia se espalhado ainda. O aleijado podia ver que ainda havia possibilidades de escapar do fogo, mas ele não podia correr - o fogo estava muito forte, muito selvagem - assim, o aleijado podia apenas ver sua morte se aproximando.
Ambos compreenderam que precisavam um do outro. O aleijado teve uma repentina compreensão: "O outro homem pode correr, o cego pode correr e eu posso vem". Eles esqueceram toda a sua competição. Em um momento tão crítico, quando ambos estão encarando a morte, necessariamente se esquece toda a estúpida inimizade.
Eles criaram uma grande síntese; eles concordaram que o cego carregaria o aleijado em seus ombros e eles funcionariam como um único homem - o aleijado pode ver e o cego pode correr. Eles salvaram suas vidas. E porque cada um salvou a vida do outro, eles se tomaram amigos; pela primeira vez deixaram de lado seu antagonismo.
Zorba é cego - ele não pode ver, mas ele pode dançar, pode cantar, pode celebrar. O Buda pode ver, mas ele pode somente ver. Ele é pura visão apenas claridade e percepção - mas ele não pode dançar, está aleijado; não pode cantar, não pode celebrar.
Está na hora. O mundo está pegando fogo; a vida de todos está em perigo. O encontro de Zorba e Buda pode salvar a humanidade inteira. Este encontro é a única esperança.
Buda pode contribuir com consciência, claridade, olhos para ver além, olhos para ver aquilo que é quase invisível. Zorba pode dar todo o seu ser à visão de Buda - e não a deixe permanecer apenas uma visão seca, mas faça-a um estilo de vida dançante, celebrativo, extático.
O embaixador de Sri Lanka escreveu uma carta para mim dizendo que eu deveria parar de usar as palavras "Zorba o Buda"... porque Sri Lanka é um país budista. Ele disse: "É uma ofensa aos nossos sentimentos religiosos esta sua mistura de estranhas pessoas, Zorba e Buda".
Eu escrevi a ele: "Talvez você não entenda o fato de que Buda não é propriedade pessoal de ninguém, e Buda não é necessariamente o Gautama Buda que vocês têm adorado por milhares de anos em seus templos. Buda simplesmente significa "o acordado". É um adjetivo; não é um nome pessoal. Jesus pode ser chamado o Buda; Mahavira era chamado, nas escrituras jainas, o Buda; LaoTzu pode ser chamado um Buda - qualquer um que seja iluminado é um Buda. A palavra Buda simplesmente significa "o acordado". Ora, acordar não é propriedade de ninguém; todos que podem dormir, podem também acordar. Isso é natural, lógico, conseqüente - se você é capaz de dormir, você é capaz de acordar. Zorba está dormindo; portanto ele tem a capacidade de estar acordado. Assim, por favor, não fique desnecessariamente enraivecido, furioso. Eu não estou falando sobre o seu Gautama Buda; eu estou falando sobre a pura qualidade de estar acordado. Eu o estou usando somente como um símbolo".
Zorba o Buda simplesmente significa um novo nome para um novo ser humano, um novo nome para uma nova era, um novo nome para um novo começo.
Ele não respondeu. Até mesmo as pessoas que possuem postos de embaixadores são completamente ignorantes, estúpidas. Ele pensou que estava escrevendo uma carta muito significativa para mim, sem ao menos entender o significado de Buda. Buda não era o nome de Gautama. Seu nome era Gautama Sidarta. Buda não era o seu nome - o nome dado por seus pais era Gautama Sidarta. Sidarta era o seu nome, Gautama era o seu sobrenome. Ele é chamado de Buda porque despertou; de outra forma, ele era também um Zorba. Qualquer um que não esteja acordado é um Zorba.
Zorba é um personagem fictício, um homem que acreditava nos prazeres do corpo, nos prazeres dos sentidos. Ele desfrutava a vida ao seu máximo, sem se preocupar com o que iria acontecer a ele na próxima vida - se iria para o céu ou seria jogado no inferno. Ele era um pobre servente; seu patrão era muito rico, mas muito sério - com a cara amarrada, muito britânico.
Em uma noite de lua cheia... Eu não sou capaz de esquecer o que ele disse ao seu patrão. Ele estava em sua cabana; foi para fora, com o seu violão estava indo dançar na praia - e convidou o patrão. Ele disse: "Patrão, somente uma coisa está errada em você - você pensa demais. Vamos! Esta não é hora de pensar; a lua está cheia, e todo o oceano está dançando. Não perca este desafio".
Ele arrastou o patrão pelo braço. Seu patrão tentou resistir, porque Zorba era absolutamente maluco, ele costumava dançar na praia todas as noites! O patrão estava sentindo-se embaraçado - e se alguém chegar e ver que ele está acompanhando Zorba? E Zorba não estava somente convidando seu patrão a ficar ao seu lado; ele estava convidando-o a dançar!
Vendo a lua cheia, e o oceano dançando, e as ondas, e Zorba cantando com seu violão, subitamente o patrão começou a sentir uma energia em suas pernas que nunca havia sentido antes. Encorajado e persuadido, finalmente ele entrou na dança, a princípio relutantemente, olhando em volta, mas não havia ninguém na praia no meio da noite. Então ele esqueceu tudo sobre o mundo e começou - tornou-se um com Zorba-o-dançarino, e o Oceano-o-dançarino, e a Lua-a-dançarina. Tudo se desvaneceu. Tudo se tomou uma dança.
Zorba é um personagem fictício e Buda é um adjetivo para qualquer um que abandone seu sono e se tome acordado. Nenhum budista precisa se sentir ferido.
Eu estou dando a Buda a energia para dançar, e eu estou dando a Zorba os olhos para ver, além dos céus, os longínquos destinos da existência e da evolução.
Meu rebelde não é outro senão Zorba o Buda.
Osho, em "O Rebelde: O Verdadeiro Sal da
Terra"
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